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O que aprendi com a demissão do meu pai

Dia desses estava eu na casa da minha tia (irmã do meu pai) e começamos a conversar sobre a infância deles. Desde as vezes que meu pai pegava escondido o carro do meu avô, passando por situações em que ele desmontou um rádio novo que os pais dele tinham acabado de comprar (na época esses rádios custavam o preço de um iphone novo $$$), até chegar no momento engraçado onde meu pai corria da minha avó para não apanhar e assim dava voltas no quarteirão com ela em seu encalço.

O Sr. Francisco de Assis não era muito adepto ao status quo e sempre viveu de forma a realizar aquilo o que tinha vontade, mesmo que para isso ele tivesse que passar por cima de algumas regras que separam as pessoas comuns das pessoas incríveis. Passados 15 anos da sua partida para um outro plano, cada vez mais eu tenho orgulho do pai que ele foi e da pessoa incrível que me daria base para muitas coisas, inclusive a de ser e fazer diferente.

Inclusive, neste outro artigo falo um pouco de como ele enxergava o seu emprego em detrimento ao trabalho que ele gostava de realizar aos finais de semana.

Lembro-me de uma das inúmeras vezes que discutimos antagonicamente sobre o fazer o que gosta (eu) ou gostar do que faz (ele). Hoje concluo que os dois se complementam se você sabe exatamente o por quê faz o que faz todos os dias além das obrigações com os boletos de cada mês.

O fato é que ele trabalhou por mais de vinte anos em uma multinacional como engenheiro e atuava com testes de emissões de poluentes, passando por configurações em computadores (gigantes dos anos 80) até testes em alta velocidade em rodovias de São Paulo com protótipos de carros que ainda nem tinham sido lançados. Ele não era muito chegado a obedecer hierarquias quando tinha certeza de que a sua opinião estava certa, talvez por isso não tenha se tornado um gerente ou um diretor em sua área, visto que em empresas multinacionais a politicagem contava e muito como fator de crescimento na organização.

Mas vamos aos fatos.

Depois de várias histórias engraçadas, minha tia contou que uma certa vez meu pai chegou para ela e disse que depois de mais de quinze anos trabalhando para a multinacional, havia sido demitido. Ele explicou que estava trabalhando a vários meses em um projeto onde o computador acusava informações que ele tinha certeza que não estavam condizendo com a realidade. Ele fez vários testes e continuava convicto de que a máquina estava com problemas, mas como era um computador de milhões de dólares a empresa decidiu trazer um técnico de outro país para avaliar e se necessário consertar a máquina. O tal técnico veio depois de alguns meses, mexeu no equipamento e o problema persistiu.

Cansado de ficar pedindo autorização para fazer as coisas, meu pai desmontou aquela máquina para entender o que estava acontecendo e arrumou o problema.

Quantas pessoas você acaba esperando para resolver aquilo o que você consegue se tentar um pouco mais?

Resolvido o problema o chefe dele ficou contente, certo? Errado!

A empresa era altamente vertical e o sistema de comando e controle imperava. Assim ao invés de receber os parabéns seguido de algumas orientações quanto a tentar consertar um equipamento caríssimo, meu pai foi demitido por ter feito algo que apenas pessoas incríveis fariam. Talvez em outro contexto ele seria visto como alguém inovador, resiliente, design thinker, etc etc, mas eram os anos 90 e a empresa era pragmática em relação ao trabalho.

Com essa história vieram alguns aprendizados para mim:

nunca desista

Se você está convicto do que faz, conhece o contexto e as variáveis, não desista de fazer tudo o que estiver ao seu alcance para chegar no seu objetivo. Mesmo se tiver um chefe que não enxerga um palmo a sua frente.

 

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Se você não ousar na vida, jamais saberá como poderia ter sido diferente aquilo o que todos diziam ser assim mesmo. Quando estiver mais velho, a chance de se arrepender por algo que não fez é grande e a sensação de não ter feito nada de tão importante pode vir a tona.

 

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Nem sempre os outros vão gostar de quem está a frente do seu tempo, por isso muitas vezes é melhor deixar as palavras e críticas em um lugar bem distante de você. Veja se consegue extrair algo bom do que as pessoas falam, o que não for útil apenas ignore e continue na sua jornada.

 

Para finalizar, depois de alguns dias a empresa recontratou o meu pai para continuar fazendo o que estava por que perceberam que só ele sabia fazer o que fazia de uma forma única. E é essa a principal lição que quero compartilhar com você:

Não é o que você faz, mas sim a intenção, o amor e o propósito que você coloca nas coisas que faz!

Fique bem e nunca desista daquilo o que você faria mesmo sem ganhar nada em troca!

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Francisco Dalsenter – Fundador da happynn.com, palestrante sobre engajamento, felicidade, propósito no trabalho e um eterno aprendiz.

 

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